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S. Jerónimo

Sofrónio Eusébio Jerónimo nasceu em Estridon, na fronteira da Dalmácia, actual Croácia, entre os anos de 340 e 342. Filho de pais crentes, de quem recebeu uma educação cristã, foi para Roma em 354 onde estudou com o famoso gramático Donato, e com Vitorino, mestre de retórica e orador. Iniciou os estudos teológicos na famosa Academia de Treveris, hoje situada na Alemanha, seguindo para Aquileia, na actual Itália, onde assistiu a uma reunião de clérigos jovens que o incitaram a levar uma vida de estudo e virtude. No ano 374, com alguns companheiros, foi para o deserto, na Síria, onde viveu como anacoreta. Novamente em Roma, em 382, o Papa S. Dâmaso nomeou-o seu secretário incumbindo-o de rever os quatro Evangelhos a partir do texto grego. S. Jerónimo tornou-se assim uma figura influente, dirigindo espiritualmente nobres e virtuosas damas romanas, como Paula, Eustóquia e Marcela, que viriam a ser canonizadas. Com a morte do Papa em 384 foi atacado pelos seus inimigos e forçado a deixar Roma tendo em 385, partido para o Oriente. Passou por Jerusalém, Antioquia e Alexandria, onde visitou as colónias monásticas da Nítria. Chegou finalmente a Belém, em 386, onde permaneceu durante trinta a quarto anos, e onde Paula e Eustóquia com os seus bens, tinham já erguido três mosteiros femininos e um masculino. Dirigiu espiritualmente esses mosteiros e organizou o seu próprio, ao qual acorreram muitos peregrinos, atraídos pela sua vida de oração e penitência. Envolveu-se também em controvérsias com heréticos e pelagianos e em debates com o teólogo Tyrannius Rufinus e com Santo Agostinho. Um conflito com o bispo de Jerusalém mereceu-lhe mesmo a ameaça de expulsão por parte das autoridades romanas. Formou uma rica biblioteca e desenvolveu uma intensa actividade literária, com obras sobre a Bíblia, controvérsias teológicas, trabalhos históricos, cartas e traduções. Traduzindo e revendo o texto hebraico, escreveu uma nova versão latina do Antigo Testamento que, com os Evangelhos anteriormente revistos por ele, deu origem a Vulgata, que se distingue pela elegância da forma e pela fidelidade de pensamento em relação ao texto original. Os seus últimos anos foram contudo ensombrados pelo saque de Roma em 410, pelas mortes de Paula e Eustóquia e pelo seu isolamento voluntário. Depois de uma vida de austeridade e mortificações morreu a 30 de Setembro de 419 ou 420. Foi sepultado em Belém e posteriormente trasladado para Roma.

Infante D. Henrique

Henrique o Navegador é o quinto filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, ilustre membro da Ínclita Geração. Nasceu no Porto, em 1394, e faleceu em Sagres em 1460. É, sem dúvida, a figura que mais se identifica com o próprio movimento de expansão dos descobrimentos. Aos vinte e um anos participa na conquista de Ceuta e, pela bravura demonstrada, é armado cavaleiro. Em 1420 é-lhe entregue a administração da Ordem Militar de Cristo, sucessora da Ordem dos Templários, cargo que manteve até morrer. Em 1427, navegadores ao seu serviço descobrem e iniciam a exploração dos arquipélagos da Madeira e dos Açores. Em 1434, Gil Eanes dobra o cabo Bojador e desfazem-se mitos e medos do que estaria para além dele, facilitando a navegação ao longo da costa ocidental africana. Entretanto, o Infante acumula imensas riquezas e adquire poderio, tornando-se o grande impulsionador, e principal responsável pela expedição a Tânger, em 1437, que redundará num enorme fracasso e no cativeiro, até à morte, do irmão D. Fernando. Em 1458, já com 64 anos, participa ainda na expedição comandada por D. Afonso V que toma a cidade marroquina de Alcácer Ceguer, colaborando em mais um episódio do grande projecto da sua vida: a conquista do Norte de África aos muçulmanos. O seu nome ficará associado aos momentos mais importantes da primeira fase da expansão, na qual investiu parte dos rendimentos da sua casa senhorial. D. Henrique viveu na transição entre duas épocas: a Idade Média, em que prevalecem motivações guerreiras e religiosas, e a Idade Moderna, em que se assiste à afirmação dos valores do Renascimento e do primeiro capitalismo. A sua personalidade, intuída pelos historiadores a partir de crónicas e outros documentos, parece reflectir também essa dicotomia, até nas representações plásticas que dele se conhecem: num manuscrito da Crónica dos Feitos da Guiné, de Zurara, D. Henrique aparece desenhado com cara pensativa, cabelo e bigode aparados e com um chapéu de tipo borgonhês; é também assim que surge nos Painéis de Nuno Gonçalves; no seu túmulo, no Mosteiro Batalha, onde está sepultado, representa-se em estátua jacente com um rosto cheio e de cara rapada.

No portal sul da Igreja do Mosteiro dos Jerónimos, o Infante D. Henrique ergue-se, de cabeça descoberta, com longos cabelos e barbas, vestido com cota de armas e espada nua na mão. D. Manuel, que era sobrinho-neto do Infante, confere-lhe uma dimensão heróica e amplamente comemorativa. Simbolicamente, a figura do Infante situa-se bem no meio da porta mais visível, tratando-se de uma invulgar representação do “guarda do limiar”. Deste modo, D. Manuel recorda a memória de um antepassado que foi, simultaneamente, o fundador da primeira ermida do Restelo e a base das grandes navegações e descobrimentos.

Vasco da Gama

Vasco da Gama nasceu em Sines, talvez em 1468, e veio a falecer na Índia, em Dezembro de 1524, quando desempenhava há apenas três meses o cargo de vice-rei. Foi o segundo filho de Estevão da Gama; o primogénito era Paulo da Gama, que acompanhou o irmão na viagem de 1497-1499 à Índia e veio a falecer quase no final do regresso, na ilha Terceira. Rezam as crónicas que era Vasco da Gama "de meia estatura, de génio cavaleiroso, ousado para qualquer grande feito, no mando áspero, e assaz para temer em qualquer paixão, sofredor de trabalho e mui inflexível no castigo de culpas em cumprimento da justiça." A audácia e a inflexibilidade do temperamento de Vasco da Gama e dos seus homens, que souberam lutar com as fúrias do céu, do mar e da terra, permitiram que se escrevesse uma nova página na História Mundial. Os seus restos mortais foram transportados do Oriente para o convento de Nª. Srª. das Relíquias, próximo da vila da Vidigueira, onde permaneceram durante três séculos.

Em 1880, as ossadas de Vasco da Gama e do poeta Luís de Camões foram trasladadas para o Mosteiro dos Jerónimos. Os seus túmulos, da autoria do escultor Costa Mota tio, encontram-se no sub-coro da igreja. Vasco da Gama (do lado norte) e Luís de Camões (do lado sul) foram os dois representantes máximos da epopeia lusíada, que mereceram a honra de repousar ao lado de reis.

Luís de Camões

Filho de Simão Vaz de Camões e Ana de Sá Macedo, nasceu em 1524 (?), tendo feito os seus estudos em Coimbra. Em Ceuta, onde combateu os Mouros, perde um dos olhos. De regresso a Lisboa, é preso, em 1552, devido a uma rixa com um funcionário da Corte. Em 1553 é perdoado pelo rei e parte para a Índia, onde tomou parte em várias expedições militares. Segundo alguns autores compôs nesta altura o primeiro canto de Os Lusíadas. Em Macau exerceu o cargo de provedor-mor de defuntos e ausentes. Em 1569 regressa a Lisboa, publicando a obra Os Lusíadas três anos mais tarde. Morre em 10 de Junho de 1580, doente e na miséria.

Em 1880, as ossadas de Vasco da Gama e do poeta Luís de Camões foram trasladadas para o Mosteiro dos Jerónimos. Os seus túmulos, da autoria do escultor Costa Mota tio, encontram-se no sob-coro da igreja. Vasco da Gama (do lado norte) e Luís de Camões (do lado sul) foram os dois representantes máximos da epopeia lusíada, que mereceram a honra de repousar ao lado de reis.

 Alexandre Herculano

Alexandre Herculano de Carvalho Araújo nasceu em Lisboa, em Março de 1810, e fez estudos em Humanidades no Colégio dos Oratorianos. Em Fevereiro de 1831 integra uma tentativa revolucionária abortada contra D. Miguel e é obrigado a emigrar, primeiro para Inglaterra e passando depois para França. Apesar de penoso, esse exílio serviu-lhe para abrir mais amplos horizontes culturais. Fez parte da expedição de D. Pedro IV que, partindo dos Açores, desembarcou no Porto, em 1832, participando como soldado nas lutas liberais. Depois de ter sido bibliotecário na Biblioteca Pública do Porto (1833-1836), foi nomeado, pelo rei D. Fernando seu bibliotecário e encarregado da administração das Bibliotecas Reais da Ajuda e das Necessidades. Dá então início à publicação de escritos de intervenção que lhe trazem notoriedade pública. Em 1840, foi eleito deputado pelo Porto, pelo Partido Cartista, tendo centrado as suas intervenções, sobretudo, no domínio da instrução pública mas acabou por afastar-se e dedicar-se à produção literária, colaborando intensamente na revista O Panorama. Voltará à ribalta política em 1851, com a Regeneração, chegando mesmo a elaborar projectos. Incompatibilidades posteriores fazem-no passar à oposição ao Governo através de dois jornais que funda: O País (1851) e O Português (1853) onde defende o seu “programa de melhoramentos materiais”. Ataca a burguesia reaccionária no prefácio da História da Origem e Estabelecimento da Inquisição. Concorre às eleições municipais e é eleito presidente da Câmara do recentemente criado concelho de Belém. Inspecciona por todo o país os cartórios e arquivos notariais, acumulando materiais que lhe permitirão escrever a História de Portugal além da colossal obra que viria a ser (além dos oito volumes de Opúsculos) os Portugaliae Monumenta Historica. Em 1856 é um dos fundadores do Partido Histórico. Sustenta uma acirrada polémica com a Igreja Católica relacionada com a Concordata, na defesa do rigor na aplicação das leis antimonásticas e propondo a introdução do casamento civil. Em 1859, com o produto dos seus direitos de autor, compra uma quinta em Vale de Lobos (Santarém), onde passa largos períodos. Quando se casa, em 1866, instala-se definitivamente na quinta continuando o seu trabalho de historiador e polemista, mas dedicando-se sobretudo à agricultura, num exílio que quis fosse entendido como protesto cívico contra o desnorte e os desmandos do constitucionalismo monárquico. Alexandre Herculano foi poeta, romancista, historiador, jornalista, defensor do Património, lavrador, cidadão íntegro e investigador rigoroso, além de introdutor do Romantismo em Portugal (juntamente com Garrett). Faleceu em Vale de Lobos, a 13 de Setembro de 1877. O seu prestígio provocou, por todo o país, inúmeras manifestações de consternação. Devido ao seu prestígio houve, em todo o país, manifestações de consternação. Também em 1910, de norte a sul, se comemorou o primeiro centenário do seu nascimento; e, em 1977, ainda se comemorou o centenário da sua morte.

Em 1888, foi trasladado para a Sala do Capítulo do Mosteiro dos Jerónimos, expressamente preparada para o acolher em túmulo construído por subscrição pública.

Fernando Pessoa

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935) é considerado como um dos maiores poetas portugueses, e europeus, do século XX. Por ter crescido na África do Sul, para onde se mudou aos sete anos em virtude do casamento de sua mãe, Pessoa foi alfabetizado em Inglês. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa dedicou-se também a traduções desse idioma. Durante a sua discreta vida, actuou em diferentes áreas como o jornalismo, a publicidade, o comércio e, principalmente, a literatura. Numa obra imensa, que tem vindo a ser progressivamente dada a conhecer, e repartida pelos seus múltiplos heterónimos - Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Bernardo Soares - encontramos uma original forma polifónica de encarar a multiplicidade, a diversidade, a alteridade e a identidade do homem contemporâneo. Fernando Pessoa morreu aos 47 anos, na cidade onde nasceu.

O corpo do poeta foi transladado em 1985 para o Claustro do Mosteiro dos Jerónimos, sendo o seu túmulo da autoria do Mestre Lagoa Henriques.

Fonte: Dicionário de História de Portugal, Direcção Joel Serrão, Livraria Figueirinhas/Porto, 1990 

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