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Séc. XVII e Séc. XVIII

Data de 16 de Julho de 1604 um alvará de Filipe II de Portugal, que nessa altura reinava na península ibérica, em que se caracteriza o Mosteiro como jazigo real, proibindo o enterramento de outras pessoas a não ser religiosos da Ordem. Foi então construída uma nova portaria (c. 1625), a porta da clausura, a casa do porteiro, a escadaria conventual e a sala que dá entrada para a galeria superior do claustro, obras do arquitecto régio Teodósio Frias e executadas pelo pedreiro Diogo Vaz.

Em 1640 é construída a Livraria do Mosteiro, por ordem do Prior do Mosteiro Frei Bento de Siqueira. Nela foram colocados os livros deixados pelo Infante D. Luís (filho de D. Manuel I) e outros que foram legados à Comunidade religiosa.

Com a Restauração da Independência de Portugal (1640) o Mosteiro dos Jerónimos volta a ganhar importância como panteão real, tendo sido sepultados na igreja quatro dos oito filhos de D. João IV: o Príncipe D. Teodósio (1634-1653), a Infanta D. Joana (1636-1653), o rei D. Afonso VI (1643-1683) e D. Catarina de Bragança (1638-1705). A 29 de Setembro de 1855 o corpo do rei D. Afonso VI foi trasladado para o panteão da Casa de Bragança, no Convento de S. Vicente de Fora, o mesmo acontecendo aos seus três irmãos.

Uma das principais doações ao mosteiro é feita pelo rei D. Afonso VI em conjunto com o seu irmão D. Pedro, como promessa pelo sucesso na batalha de Montes Claros em 1665, que pôs fim à Guerra da Restauração. É assim entregue em 1675, por D. Pedro Regente do Reino, o grandioso sacrário em prata, cuja execução se deve ao ourives João de Sousa. Foi colocado por detrás do altar-mor em substituição de um quadro que integrava o retábulo da Capela-Mor, do pintor Lourenço de Salzedo.

No reinado de D. Pedro II, em 1682, foram colocados nas Capelas do Transepto, e em mausoléus semelhantes aos da Capela-Mor, os corpos do rei D. Sebastião e do Cardeal D. Henrique.

Em 1663 a Irmandade do Senhor dos Passos ocupa a antiga Capela de Santo António que é revestida por uma belíssima talha dourada em 1669. São desta altura também os frescos da escadaria com as armas de S. Jerónimo (c.1700).

Entre 1709 e 1711, no reinado de D. João V, fizeram-se os retábulos de talha nos altares do Cruzeiro; são entregues à Ordem valiosas alfaias e em 1713 redecora-se a sacristia. Também neste reinado, em 1720, foram encomendados ao pintor Henrique Ferreira retratos de todos os reis de Portugal de corpo inteiro - a série régia - que foi colocada na Sala dos Reis. Foi ainda encomendado ao mesmo artista um Presépio de pinturas.

Em 1755 dá-se o grande terramoto de Lisboa. O Mosteiro suporta bem esta catástrofe. Só a balaustrada e parte do chão do coro alto ruíram, tendo-se iniciado imediatamente as obras para a sua reparação.

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